segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Camila Paier leu os meus pensamentos...


Ontem postei um texto (O sentido do que acabou.), não é o que estou sentindo no momento, mas foi um texto que escrevi a 6 meses e resolvi postá-lo, pois achei verdadeiro e sincero (na época, para mim) e acredito que podemos sim sentir isso depois de curado o passado. Depois que havia escrito esse texto, aconteceram algumas coisas que me fizeram voltar a sentir a mesma raiva, o mesmo ódio, o mesmo "de novo você vai fazer isso?" e não conseguindo expressar o que estou sentindo, surge a Camila Paier do calmila.blogspot.com que, como uma vidente, escreve de uma maneira sincera e muito bem o que estou sentindo. Vou postá-lo como uma forma também de desabafo e dedico a você, que não precisa de dica nenhuma para ninguém, nem mesmo para você, pessoa anônima visível, para saber quem é.

Vai

Existe sempre aquele momento, que se possível e conveniente, temos a oportunidade de desabrochar tudo aquilo que guardávamos, e que seria necessária estourar. Se esse momento não chegou, ele virá. Por mais que todas as portas estejam trancafiadas, às sete chaves e não haja frestras nas janelas, saindo pra rua tudo é possibilidade. E a escolha de voltar algumas semanas no tempo, e colocar em pauta tudo o que você não disse, e deveria ter falado, tudo que não saiu da sua boca, e o outro deveria ter escutado, chega. Suas amigas mandam você fazer a fina, e ficar longe, não dar importância. Sua mãe, ri e não diz nada. Seu cachorro te olha com o rosto meio virado e questionando o que nem você sabe - o que você vai fazer agora? Falar, e se danar? Sumir, e fazer a louca? Cortar os pulsos, e aparecer sangrando? Ligar o Mute, e fingir escutar o que o outro ter a dizer? Como não sei fazer nada melhor que escrever, é a escolha mais sábia que faço. Você é um idiota. Eu sei, e você reconhece. Aqui não conserta-se gaitas, e muito menos corações. Desculpas esfarrapadas não absorvem, e entram por um ouvido, e saem pelo outro. E não me importando que um parasita como você leia, ou que qualquer outra pessoa te conte, nostálgica com uma xícara de chá e duas bergamotas ao lado, reflito.
A gente não deve acreditar em princípes. Ainda mais quando eles pousam numa nave estranha, e sem nenhum porque completo, na sua rua, na sua frente; na sua vida. Quando um gentleman pousa no caminho, nos resta lembrar que: com tanta perfeição assim, qualquer erro vai virar catástrofe. E acho realmente, que isso foi sim acontecendo. Eu via na sua altura e no seu porte atlético tudo o que eu precisava - e você vinha na minha loirice contida e abundante, aquilo que seria volátil, fácil e ainda assim, temporário. Secretamente, um cavava buracos, enquanto o outro chutava a areia. Profundidade versus comodidade. Era tão óbvio que não ia dar certo, por que diabos fantasiaram o meu conto - que poderia ser erótico, histórico, transformador ou etílico, menos de fadas. E mesmo sabendo que, meu livro já se encontrava pleno em histórias bizarras, em crônicas pela metade e clichês imundos, você seguiu a fila. Andou até onde todos foram, e entrou pra mais uma história conturbada, e mal acabada. Mais um, parabéns. É o que você conseguiu ser. E que hoje, não significa mais nada pra mim. Nem palpitações e tremores no meio da tarde, ou sonhos madrugada à dentro.
O seu corpo é escultural, quente; e uma pena que aí dentro, seja sempre inverno e quase neve (e raramente um Outono com Sol, como a gente julgava a perfeição dos dias). Eu prefiro o seu cabelo comprido, e eu gostava de opinar nas suas combinações, no que vestir. Eu queria pegar o carro e ir pra praia, sem rumo. Desejava sumir em cumplicidade, e descobrir novas terras. Deitar o cabelo sobre a grama úmida, e rir horas dos sotaques engraçados pelo caminho. Enquanto você, se contentava em desfilar pelos lugares fechados e claustrofóbicos, cheios de glamour barato; dormir tardes inteiras, enquanto os raios solares me chamavam pra rua. Opostos, sim. E o lugar que na minha vida, na bagunça do meu coração, você ocupava, hoje nem adianta mais: tá ocupado. I'm sorry.
Também acho um crime duas pessoas que teriam tudo pra se dar bem, não acontecerem de fato. Mas depois de tanto tempo, dá uma preguiça enorme voltar, e apanhar as partes ocas e destroçadas na ventania, e montar novamente, reconstruir um erro; como se nada tivesse acontecido. Como se expectativas não tivessem inundado, e as flores do caminho, murchado. A minha pressa, e a tua desmotivação ruiram qualquer possibilidade de futuro. Num campeonato onde eu era a lebre faceira e você a vagarosa tartaruga, não houve uma velocidade constante de ritmos. E inconstantes de somos, eu sabia que você voltaria. A gente sempre sabe quando uma ave ou borboleta pousa de novo no ombro, nas pernas. E um belo dia, entre cadernos e pastas, borrachas e anotações, o toque inesperado de quem ficou pra trás. Dizem que quando a gente está distraídos, podemos assustar os animais do bem, as coisas boas da vida: passam sem perceber e dar alarde, e muito mais tarde, sentimos falta. Aonde é que eu assino embaixo?

2 comentários:

  1. Melissa Peres Ferreira22 de novembro de 2010 18:47

    Vou ser a primeira!Hum...Então, vamos lá! Sabe muito bem que não sou uma escritora nata igual a você, mas quando escrevo é com a voz do coração, tento ser a mais sincera (acho que sabe disso né?), gostei muito dos seus textos, te indiquei no twitter (hiihihihih), no facebook, ALOK para mim. Acredito que dessa forma pode mostrar para os outros e até mesmo para você, que as vezes quando caimos ou sofremos por qualquer motivo que seja, não precisamos ficar sofrendo ou se punido por deixar ter acontecido( se precavido), mas demonstrar que erramos e aprendemos com nosso erros.
    Nossa, virou uma baguça de sentimento...
    É só isso mesmo!
    AMO!

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  2. Ahhh, Mel, muito obrigada pelos elogios. Preciso me aperfeiçoar mais na escrita. Com relação ao que você disse de mostrar que erramos e aprendemos com nossos erros eu concordo plenamente. Se ficamos quietas, afastadas, caladas, dói mais e expondo os nossos sentimentos fica mais fácil de lidar com eles. Fico feliz que tenha gostado e obrigada pelas indicações. TE AMO !!

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